Categoria: Saúde

  • Obrigado Bombeiros (e a todo o pessoal da saúde)

    Obrigado Bombeiros (e a todo o pessoal da saúde)

    Ontem (17/05) foi a minha vez. Precisei do SNS24. Precisei de uma ambulância.

    (Calma, está tudo bem. Não precisei de ir para o hospital — ufa! — e já estou quase recuperado. Foi provavelmente uma reação vagal depois de uma diarreia súbita; talvez o corpo a fazer uma descarga de um acumular de situações e tensões como, por exemplo, PSI – Prestação Social para a Inclusão: Corte do Complemento (Parte 1))

    Em três ou quatro anos, esta é a segunda vez que uma ambulância tem de vir cá a casa (a primeira, para a minha mãezinha). E é incrivelmente satisfatório para mim poder dizer que todo o pessoal que nos tem assistido é o oposto total do SNS politizado, robotizado e desumanizado que nos tentam impingir.

    Sei bem que, se tivesse ido para o hospital esperar 8 ou 12 horas numa urgência, a minha vontade de escrever hoje seria outra. Mas felizmente não aconteceu, e a verdade tem de ser dita: a culpa do caos raramente é de quem está na linha da frente.

    Desta vez, bateram-me à porta os Bombeiros de Pedrouços. E o Enf. Paulo Nogueira (se a memória não me falha no nome) foi simplesmente SUPER. Trouxe boa disposição, trouxe alegria e um sorriso para um momento que, minutos antes, tinha sido horrível. Para terem a noção da fragilidade: só tive tempo de chamar a minha mãe, que me teve de limpar o cu (mãe sofre, kkk!), e com a ajuda da minha irmã arrastar-me para o sofá.

    A ambulância não demorou, e eu já tentava ditar à minha irmã o que sentia para ela transmitir à operadora do SNS 24.

    Quando a equipa entrou, o Paulo claramente sentia a pressão do walkie-talkie, a confusão do sistema a chiar-lhe ao ouvido. O que é que ele fez? Baixou o volume, entregou o rádio à colega e focou-se no que importava: O JOSÉ.

    Mediu-me a tensão, picou-me o dedo, posicionou-me de forma a estabilizar e esteve sempre, mas sempre, a conversar comigo e com os meus.

    “Já estás a voltar à vida… já tens uma corzita”, disseram os meus irmãos.

    “É isso, grande José! Foi uma quebra grande de tensão… daqui a nada meço outra vez, mas sim, já estás morenaço. Esta posição ajuda a recuperar”, atirou o Paulo.

    Em cerca de 30 minutos, com muita calma e uma empatia tremenda, tudo se encaminhou. Evitámos o tormento do hospital.

    (Na verdade, para mim, nem é uma surpresa. Já fiz voluntariado ao lado de uma dezena bombeiros e sei bem que, por norma, aquela farda veste humanos fora de série. Mas faço questão de escrever sobre por um motivo urgente: precisamos de falar muito mais, de partilhar e a dar voz também ao que é bom. Não devemos escrever e gritar apenas quando somos mal atendidos / servidos. Pelo contrário: temos o dever de puxar para a frente os exemplos em que as coisas acontecem como devem acontecer: de humanos para humanos.)

    Porque a realidade é só uma: hoje em dia, só a ideia de precisar de um hospital e ficar horas sem fim à espera (mesmo com pulseira laranja) dá medo. Muito medo. E repito: a culpa não é de quem lá está a bulir. Se os diretores e os dirigentes políticos fossem obrigados a recorrer ao serviço público, sem cunhas, o SNS passava a estar “top” num piscar de olhos.

    Obrigado, Paulo. Obrigado a toda a equipa dos Bombeiros de Pedrouços que me segurou o chão ontem.