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  • O Blog “(A)NORMAL”

    O Blog “(A)NORMAL”

    Não é apenas um nome bem conseguido; é a tradução fiel do meu conflito interno. Um embate constante entre os meus “eus” — quem fui, quem sou e o que faço aqui — e um mundo que, para mim, deixou de ser Mundo.

    “Dizem” que sou um anormal. Talvez seja. Se a sociedade é o reflexo das ações e inações da maioria, e se em nada me identifico nelas, seria irracional dizer que eu sou o normal e os da manada os anormais. Mas esta “bipolaridade” entre como me veem e como me sinto é doentia. Faz-me mal. Tira-me a tranquilidade que é a Vida.

    Seguindo esta linha, sim, sou o Anormal. O Anormal que recusa a vida como unicamente um passo para a morte, como um ato de sobrevivência.

    • Um anormal que sente a falta da Vida que já foi (para ele e para os seus), da tranquilidade de apenas caminhar e da pureza de um sorriso que não precise de uma trincheira.
    • Um anormal que não se adapta a um mundo que normaliza o caos, que ignora e até ataca a unicidade do Ser.
    • Um anormal que ainda acredita na magia da unicidade, que fala sem filtros e que — por mais que tente — não consegue ficar indiferente à forma como a manada mascara a humanidade.

    Neste mundo, sinto-me assustado, encurralado.

    Acredito realmente que nasci para Viver, para Sorrir e fazer sorrir. Deixei de o conseguir; o mundo insiste em dar-me pauladas a cada reerguer. Eu insisto em reerguer-me.

    Publicar o que a minha mente traduz do meu Olhar é, no fundo, um grito de resistência. Pode ser que ajude outros que se sintam igualmente deslocados a perderem o medo da sua própria “anormalidade”.

    No mínimo, que este registo ajude a silenciar o ruído exterior e a fazer com que a minha essência possa, finalmente, ecoar melhor dentro de mim.