Esta é a história de um (a)normal que se recusa a ser ordenhado, a deixar a sua essência. Se procuras normalização, um “currículo” higienizado e linear, adianto já, estás no sítio errado.
Este é o meu “Sobre Mim”, sem filtros, focado no que realmente importa: a viagem entre o existir e o viver.
O Possível Título: Anormal, Oficial Superior
Nasci nos anos 80 com uma encefalopatia crónica não-progressiva (existe um termo mais simples, mas este obriga-te a pesquisar / a não supores instintivamente) e o esperado era… que “vivesse” numa cama. Mas, numa família que nunca aceitou as minhas supostas limitações, conquistei cedo o meu estatuto de “Anormal, Oficial Superior”. Fui um dos primeiros “anormais” em escolas normais, tirei a carta de condução, licenciei-me e, de loucos, até já fui atleta de competição em remo.
O Tempo da Semeadura: Quando o Mundo era (Quase) de Todos – ou eu o via assim
Até 2016/2017, eu era o exemplo vivo da felicidade ativa. O meu lema era simples: “Se acredito é possível e se o é… faço acontecer!”.
- No Mar e no Rio: Descobri o remo por desafio, apaixonei-me e mudei o meu corpo aos 34 anos.
- A Campanha: Lancei o crowdfunding “Tens OO para ser feliz?” para comprar um skiff adaptado (que vendi em 2024 para comprar a carrinha atual) e acabei a inspirar pessoas nos quatro cantos do mundo.
- A Atitude: Sempre vibrei com o que fazia. Se o sorriso não aparecia ao acordar, era hora de mudar de rumo.
O Caos: O Fundo dos Fundos
Em 2018/2019, conheci o verdadeiro caos. Não foi uma guerra física, mas uma mental: Ansiedade / Stress Pós-Traumático. Foi o “fundo dos fundos”, onde tive de largar a mão dos outros para cuidar de mim, num silêncio que durou anos. Desse caos não se sai ileso, mas sai-se com uma lucidez lixada sobre o que e como realmente somos por baixo da ponta do iceberg.
A Desconexão: O Mundo como “Linhas de Código”
Hoje, olho para a “manada” e sinto-me encurralado. Vejo uma sociedade que tenta humanizar linhas de código enquanto os homens se tornam robos telecomandados, perdendo a genuinidade de um sorriso ou a verdade de um olhar.
- Detesto a ideia de que “sobreviver” é o mesmo que “viver”.
- Custa-me ver pessoas a escolherem cursos por empregabilidade e não por “feeling”, ou a terem filhos só porque os amigos já têm.
- Sinto que este mundo “humano” está, muito francamente, uma bosta.
A Ressurreição: A Ponte e as “Escarradelas”
Já pensei que sim, mas não existe um “novo eu”; existe apenas este eu, com o lado menos confiante que o caos deixou à mostra, mas ainda assim com “tomates” para voltar a publicar o que vejo e sinto. Este site-blog será a minha “gaveta digital”, a minha ponte para – à falta de mundo – Mundinhos.
Aqui não vais encontrar “o bonito”, mas sim o (des)equilíbrio entre quem eu fui e como me sinto hoje. Publicarei “escarradelas” em formato de texto e ou ilustração — verdades despidas sobre o que penso, o que sinto e o que vejo.
Porque, no final de tudo, se fosse para ser e fazer igual aos outros, teria nascido ovelha.
Bem-vindo(a) à minha person(a)alidade.
